A vida em três atos

Confesso que ando cansado

Sentido saudade do tempo

Em que me refugiava

Dentro de mim mesmo.

 

Vivo a tristeza herética

De não saber quem sou.

Conflito da alma e mente;

Abalo sísmico no coração.

 

Meu amor está longe

Num oceano cinzento

Que não sei como nadar.

 

Não sei nadar, não sei amar…

 

Ninguém parou; pensou…

Ninguém parou; olhou…

Ninguém parou; parou;

 

Na correnteza do tempo.

 

Me afogo dentro de mim

Pois fora não quero estar.

Já não há tempo a dizer

Pois não permito pensar.

 

Meu sangue é tinta e tristeza;

Não posso parar de sangrar;

Disse ontem o velho cansado:

 

– A vida é um ato de morte.

Samba, ritmo; você

Estou tentando me ouvir

Já que não sei te escutar;

Você diz coisas erradas

Sobre meu jeito de amar.

 

Quem precisa fazer som

Para ouvir esse sambar?

Deixa só o teu coração

Começar a nós ritmar.

 

Dança, dança devagar

Quero ver tuas roupas

Caírem de seu lugar.

 

Revelando contornos;

Da pele alva toda prata

Sobre a luz do lunar.

 

O meu samba é amor;

É a cor da poesia

Sob tons de euforia.

 

Que se pintam seus sussurros

Misturados aos meus.

Que se pintam seus sussurros

Misturados aos meus…

O tom do infinito

Sob esses montes verdes

O tempo vem para pensar

Na colina que faz silencio

A beleza se estende infinita.

 

Do ar sereno em meu ser

Sinto tristezas absolutas

Enquanto as almas saem

No luar frio para passear.

 

O universo é uma composição

A vida é uma música vibrante

Em que posso ouvir cada voz

Para sentir cada tom do verão.

 

A podridão escorrega

Por dentes movediços

Que se transformam

Como cordilheiras astrais.

 

O movimento de uma aranha

Na fração do segundo infinito

Da dança atômica de suas pontas.

 

O susto súbito.

A realidade vem.

Uma queda.

 

Tente dividir o tempo

E encontrar a eternidade

No momento que Deus

Fecha seus olhos cansados.

 

Um corvo de tinta voa,

Transpira poesia no céu.

A Mãe dorme cansada,

Está à espera de anjos.

 

O universo para de girar.

Um teatro incompreensível.

A definição de amor vem

Toca a pele com um calafrio.

 

Mas ninguém pode compreender.

Carta para Andrômeda

E quem há de me dizer

Que o tempo é mentira;

Que não se pode entender

A lógica que impõe o caos?

 

A manhã vai anunciar

Que o dia já chegou;

O passado é uma dor

Que foi embora;

 

O acaso e destino

Se tornam ambíguos

Quando falo de você.

 

Memorias tão confusas;

Te vi passar lá fora

Mas não era você ali.

 

O cheiro da sua dança

Cai como a bonança

Da chuva que caiu.

 

Quero deitar na escuridão

E nomear constelações

Que ninguém mais pode ver

 

E dar teu nome as galáxias,

E a todas estrelas que ainda

Vão um dia vir a nascer.

Seus olhos me lembram que ainda existem estrelas no céu

Vejo o teu olhar lunar

Passar por ruas astrais

Sinto o coração bater

Como meteoros no chão.

 

Planeta solitário

Sem orbita

No espaço;

Vagando sem direção.

 

Me vi levado por você

No abraço da gravidade

Dos corpos das estrelas

Do universo dos amores.

 

Dos brilhos sem cores

Fugidos em espectros

Que não são nossos

Para se poder ver.

 

Deixe-me ser

Lua do teu céu.

Ou incandescer

Até amanhecer

 

E fazer existir o Dia.

Fenchurch

Você não tem os pés no chão,

Tua mente voa, voa pelo céu

Por dias de maio de manhã.

 

Você anda como dança

Fluindo na bonança

Que te mantem de pé.

 

Você tem riso de criança

E olhos de mulher

Que vai tocar o Sol.

 

Você,

Me diz alguma coisa

Que não sei entender.

 

E fico fixado,

No andar

Inesperado

 

Dos lábios da tua boca.

 

Você,

Deixa o silencio ir

E fica bem aqui

 

Bem mais perto de mim.

Dança fugaz do teu ser

Entre fumaças

Vejo reflexos

Do movimento

Do teu ser.

 

De todos estes

Corpos cinzentos

Eu gostaria de

Me aproximar

 

Do teu

 

E explorar a sua

Língua estrangeira

Ao meu amor

Bárbaro e selvagem

 

Que não conhece

As desilusões da

Vida contemporânea.

 

Nem os segredos

De sua pele clara

Sob a névoa turva.

 

E sua dança

É minha elipse

E você

É o centro solar

 

Do meu olhar apaixonado.