Poesia de Amor #1

Maria penso tanto no cê

Quando chovesses dias

Estrela garoa de nuvem

Ouvindos eco das poça

Juntos vento diabrado

Que molham por todos lado

Ainda sim se cheiro manso

Brota além lado de terra

vi vendo nos vendavarais

Céu cinza manhã de breu

Mais arde se teu sorriso

Sois pássaro pulsando peito

Nos piados procoração

Casa de moradia certa

Amor de imaginação.

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Delírio #10

Redentor do espirito cavaleiro

marginal beira-São-Francisco

à vereda do jagunço Cristo amado

contra o nome do mal.

Brasa de delírio vivo buriti

em travessia canela-de-ema do Urucuia,

ara a terra de silencio o Verbo é traiçoeiro

o que vem vindo: ninguém não vê verá

levando luz por onde for trem azul celestial

contra a besta toda às brutas; o riacho de mansinho

na gastança das pedrinhas o milagre à calmar.

Delírio #9

Orai por mim um terço, todo santo dia

aos domingos, um rosário me defenda

que creio as pontas de meus ossos as juntas

de meus dedos à batida do espirito santo

na batalha vencida de minha alma incendiada

serafim de seis asas Maria Leôncia Izina Calanga

chagas de Cristo me aguarde amanhã a cruz

não a forca nunca a forca a força que me rege

o toque santo dos poetas dos profetas dos

Homens que carregam seus pecados.

Virtual/Infinito

Tudo o que

Sou é

Distancia.

 

O poema que ateia

O poeta que ateia

As arvores com fruto arvores no

Meio do incêndio;

 

A brasa que sente sede

Acima da força que sacia o que vive

Andando ligeiramente acima do que morre

Nonada vertendo palavras ao Verbo.

 

As coisas entre mim e o absoluto

O homem dessistiado

O transito a agua que necessita

Atravessar-se o santo em arroubo místico

Em queda livre o homem

Que levita como

Nuvem.

 

Sai da córnea voando

Da roda voadora das aves

Escutando através das grades

A cela viva o templo o corpo

Desejando outra vez as palavras

Desdobradas cheias de estrelas

 

A faca a enxada o silencio

A palavra viva em minhas mãos

Em minhas mãos minha boca

Meu peito seus olhos seu olhar

O gosto que gosto do teu corpo.

A cama o firmamento acima da cama

As coisas entre a cama e o firmamento

 

O guardador de rebanhos

Contente infeliz contido

Nas coisas incontidas nas brechas

Do eterno retorno pescando

Os cardumes alados da esperança

Da pele – costura após costura –

Cobrindo a estrutura óssea.

 

Mas isso não importa importa só

Precisamente isso e nada mais que isso

Que possamos começar recomeçar

E começar de onde nunca terminamos.

Vulto negro no céu

Os rapina debocham da vida

urubuzam carniça os rapina

bicam nervos digerem tripas

como abutram piadas rapinas

vão me comer vivo paralisado

os rapina vão furar o umbigo

arrastar alma em queda livre

espatifar o tutano dos ossos

os rapina tão perto de Deus

planando o sertão de bucho cheio.

Delírio #7

Teus beijos mordidos deixaram marcas

como que para me manter ali

você me hipnotizava com a dor

mas fico pensando se tens medo

medo de viver por ser muito perigoso

e fico olhando o redemoinho

levantar o sertão

crime e castigo todo pecado é vaidade

queira ou não os corvos;

lembretes alados de morte

gralham à espera da carcaça;

bicam a carne as tripas os olhos

segue em frente a tempestade.